Muito se fala sobre o aumento da produtividade agrícola
para alimentar a crescente população humana do
mundo. Porém, pouco se aborda a qualidade dessa alimentação
disponível hoje. Foi justamente esse o enfoque do artigo
“Better food, not just more”, publicado recentemente
no informativo australiano Farm Weekly.
Algumas pesquisas demonstram que a quantidade e a qualidade
dos nutrientes presentes na alimentação caíram
nos últimos anos.
Um estudo realizado em 2004 pela Universidade do
Texas no Instituto de Bioquímica, por exemplo, constatou
que, entre 1950 e 1999, seis nutrientes essenciais encontrados
em 43 produtos tiveram queda significativa de 20% de vitamina
C, 16% de cálcio e 38% de riboflavina (fonte de vitamina
B). Em 2006, o Departamento de Agricultura dos EUA fez uma comparação
entre nutrientes em variedades de grãos mais antigas
e modernas. Os pesquisadores descobriram que, comparado com
as variedades de 130 anos atrás, o trigo norte-americano
tem 36% menos selênio, 34% menos zinco e 28% menos ferro.
Já em 2008, o centro de pesquisa agrícola britânico
Rothamsted Research Station fez uma análise semelhante
em dados de 130 anos e descobriu que, em média, os grãos
de hoje contém de 20 a 30% menos zinco, ferro, cobre
e magnésio.
Esses resultados são evidências de que os alimentos
de hoje são menos nutritivos do que costumavam ser.
Em outras palavras, isso significa que, em muitos casos, cada
pedaço de comida que você come hoje tem menos nutrientes
do que uma mordida do mesmo alimento que o seu avô comeu.
Como os corpos ainda querem os mesmos nutrientes, o que as pessoas
fazem hoje? Comem mais para compensar a diferença e isso
vem gerando uma grande onda de obesidade no mundo. Alimentos
pobres em nutrientes não satisfazem e, por isso, as pessoas
comem em maior quantidade. Essa reflexão é muito
importante de ser feita para que uma maior produtividade agrícola
não seja vista somente pela maior quantidade de alimentos
disponíveis e, sim, que se reflita realmente em alimentos
mais nutritivos e saudáveis para a população
mundial.
Fonte: Farm Weekly (Austrália)